Na última década, a evolução tecnológica na Medicina Veterinária foi surpreendente. Hoje, realizamos procedimentos semelhantes aos realizados no homem com resultados igualmente bons.
Para isso foi necessária a especialização de muitos profissionais da área para acompanhar esses avanços e oferecer o que há de melhor em termos de saúde animal.
Uma dessas especializações é a Oftalmologia Veterinária, na qual o animal é submetido a exames que melhor determinam o diagnóstico e a tratamentos clínicos e ou cirúrgicos mais indicados à sua doença.
Para o exame oftalmológico, utilizam-se magnificação e fonte de luz, testes de fluoresceína, teste de lágrima de Shirmmer, Rosa Bengala, tonometria para mensuração da pressão intraocular, oftalmoscopia direta e indireta para a visibilização das estruturas do pólo posterior.
Os animais podem ser acometidos por alterações em todas as estruturas oculares:
- nas pálpebras (blefarites, entrópio, ectrópio, tumorações),
- na terceira pálpebra ( protrusão devido a alterações retrobulbares, prolapso da glândula),
- nas conjuntivas (conjuntivites de diversas causas – virais, bacterianas, alérgicas, secundária a deficiência lacrimal),
- na córnea (ceratites inflamatórias, ulcerativas),
- na úvea (uveítes primárias ou secundárias a doenças sistêmicas),
- cristalino (catarata, luxação),
- retina (retinites, descolamento de retina),
- nervo óptico
- aumento da pressão intraocular – glaucoma.
O olho é um órgão de dimensões pequenas e as cirurgias realizadas em suas estruturas exigem a magnificação do microscópio. Com o auxílio do microscópio cirúrgico, podem-se realizar cirurgias para a reconstrução da superfície ocular, ceratoplastias, com implantes de membranas biológicas, recuperando córneas perfuradas e preservando, muitas vezes, não só a estrutura ocular, mas também a visão do animal.
Para as cirurgias de catarata, a facectomia extracapsular (FEC), hoje contamos também com o auxílio do facoemulsificador, aparelho que por meio de um mecanismo de ultra-som faz a fragmentação do cristalino e aspira esse material. A vantagem deste método em relação ao da facectomia extracapsular convencional é a extensão da incisão. Enquanto que para FEC convencional é necessária uma incisão de 1,5cm, para a FEC com facoemulsificação a incisão é de apenas 3mm. Isso diminui o desconforto pós-cirurgico, reduz o tempo de cicatrização da córnea, diminui a inflamação intraocular, aumentando a chance de sucesso da cirurgia.
Soma-se a tudo isso o melhor conhecimento dos veterinários gerais que encaminham o animal precocemente para o tratamento especializado e a colaboração do proprietário na realização dos tratamentos, favorecendo o restabelecimento da função visual do animal de estimação.
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